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Nenhum país tem condições tão favoráveis para se tornar o celeiro do mundo quanto o Brasil, avalia o ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) e atual presidente da Bunge Brasil, Pedro Parente. Participando de evento sobre infraestrutura promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), o executivo destacou que é possível expandir a área de plantio no país em 90 milhões de hectares sem promover desmatamento.
Em sua análise, Parente ressaltou que a extensa quantidade de terras, aliada à farta população e à força da economia, coloca o Brasil entre os quatro principais países em produção de alimentos, ao lado de Estados Unidos e China. O país, entretanto, conta com outros dois aspectos que, de acordo com o presidente da Bunge Brasil, o colocam à frente das demais nações: clima e disponibilidade de água. "Conseguimos ter duas safras por ano, às vezes três", pontua. "Teremos a responsabilidade de alimentar o mundo", diz Parente, que ainda destaca a tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como um diferencial competitivo. Para o executivo, a consolidação do Brasil como um grande exportador de matérias-primas não deve ser vista com preocupação. "Nossa grande vantagem é que não precisamos trabalhar em um aspecto só. Temos uma pauta de exportação bastante diversificada, diferentemente de outros países, que dependem de poucos produtos." Citando dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), Parente destaca que a produção de alimentos no mundo deve crescer 70% até 2050, com a população mundial chegando a 9 bilhões de habitantes. "Temos um grande potencial de crescimento em alimentos. O mundo está escancarado para nós. Mas temos que realizar mudanças, e muitas delas não dependem de aspectos constitucionais. É uma questão de gestão", afirma. A crise europeia, segundo o executivo, não terá impacto sobre a venda de alimentos do Brasil. "A grande demanda vem da China, que continua firme", diz. Embora perceba uma perda de competitividade devido à valorização do real ante o dólar, Parente coloca-se totalmente a favor do câmbio flutuante "Mas, para compensar essa perda, é preciso trabalhar os outros entraves, como a questão tributária", afirma. Pelas suas contas, o Brasil perde cerca de US$ 5 bilhões ao ano devido à baixa eficiência em logística. Fonte:Valor Online
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