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Programa de Educação e Comunicação Ambiental dos Emissários da Transpetro Sul

INTRODUÇÃO

O petróleo brasileiro é extraído quase na sua totalidade em ambientes de águas marinhas profundas. Nos campos petrolíferos formados por rochas sedimentares ricas em gás e óleo, existe também água salgada, que é chamada de água de formação.
Durante o processo de extração um pouco de água de formação é extraída junto com o petróleo. Assim, os navios são carregados com o petróleo misturado com água de formação e transportam a carga até um Terminal Aquaviário no litoral.
No Brasil, estes terminais fazem parte da Transpetro - Petrobras Transporte S. A., empresa subsidiária da Petrobras.
Na região Sul, existem 2 terminais:

  • Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul (SC)
  • Terminal Aquaviário de Osório (RS)


  • A função principal dos terminais é receber o petróleo, armazená-lo temporariamente e depois abastecer por meio de oleodutos as refinarias. Estas fazem o refino do petróleo e produzem os derivados que serão utilizados pela sociedade.
    Porém, a água de formação que vem com o petróleo precisa ser separada, pois provoca danos aos equipamentos usados e atrapalha os processos de transporte e refino.
    Desta forma, a Transpetro está implantando um sistema de tratamento de efluentes (ETE) específico para a água de formação em seus terminais, seguindo as normas e leis vigentes. E para descartá-la de forma segura no mar, a empresa está construindo um emissário submarino em cada terminal.
    Para entender melhor como funciona o tratamento, clique aqui!
    Como tal empreendimento pode não ser facilmente compreendido e aceito pelas comunidades próximas, a empresa iniciou um processo de comunicação para esclarecer a população sobre a necessidade dos emissários e que eles não trarão prejuízos ao meio ambiente e às comunidades litorâneas.
    Inicialmente foram realizadas reuniões com as comunidades para fornecer informações sobre o empreendimento e esclarecer as dúvidas dos participantes. Neste primeiro contato buscou-se atingir os principais interessados no empreendimento.
    Surgiu então o Programa de Educação e Comunicação Ambiental dos Emissários (PEA Emissários) da Transpetro Sul em parceria com o GAIA - Grupo de Aplicação Interdisciplinar à Aprendizagem.
    Para facilitar a realização do programa e demonstrar maior transparência e atuação democrática perante a comunidade, criou-se um Comitê Gestor para definir as bases do programa de comunicação.
    O Comitê reuniu representantes das áreas de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS), da Gerência Operacional e de Comunicação Institucional. Esta característica multidisciplinar com especialistas de diversas áreas visou a inclusão das visões dos vários segmentos internos da empresa e de informações técnicas indispensáveis para o programa.
    Especialistas do GAIA realizaram palestras e participaram da elaboração dos materiais de divulgação, como filmes, cartilhas e folders. Esses materiais foram produzidos com linguagem acessível e informações que atendessem as diversas partes interessadas, desde crianças até especialistas em tratamento de efluentes.
    O PEA Emissários teve o objetivo de informar e ouvir sugestões da comunidade e da força de trabalho da Transpetro sobre a adequação das ETE e a construção dos emissários submarinos no Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul e no Terminal Aquaviário de Osório.

    PLANO DE COMUNICAÇÃO

    Palestras

    As palestras foram dirigidas para os públicos interno e externo a empresa. Boa parte da força de trabalho da Transpetro mora ou é veranista nas regiões próximas às instalações da empresa. Daí a importância de manter o público interno bem informado e atualizado quanto ao tema. Na escolha do público externo, buscou-se atingir os principais interessados ou potencialmente impactados com o projeto, além de formadores de opinião. Assim, foram escolhidos os originários das seguintes instituições:

  • Prefeituras
  • Câmara de Vereadores
  • Ordem dos Advogados do Brasil
  • Associações de moradores
  • Colônias de pescadores
  • Associações comercial e industrial
  • Ongs ambientalistas
  • Escolas de ensino fundamental e médio
  • Corpo de Bombeiros


  • Os municípios envolvidos pelo programa foram:

  • São Francisco do Sul, em Santa Catarina
  • Osório, Tramandaí, Imbé e Cidreira, no Rio Grande do Sul


Além das populações locais, pessoas de outros municípios, que freqüentam as praias próximas às instalações da Transpetro, foram envolvidas em atividades nas próprias praias durante o verão. As palestras consistiam em uma apresentação realizada por um profissional qualificado para explicar o processo de instalação e funcionamento da ETE e do emissário de forma acessível aos diversos públicos participantes.
Na apresentação ocorria a introdução ao assunto, abordando-se as principais informações sobre a empresa e seu papel econômico e social na região, ressaltando a importância do respeito à comunidade e ao meio-ambiente. Fornecia-se uma visão geral dos processos que ocorrem no terminal, explicando desde a extração do petróleo, a origem da água de formação, o processo de recebimento e armazenamento do produto, a separação da água de formação e do petróleo, e os detalhes sobre a ETE e o emissário submarino.
Além disso, foram utilizados alguns materiais que complementaram as explicações oferecidas. Estes materiais foram elaborados a partir de uma pesquisa sócio- cultural que investigou as populações e os costumes das regiões de São Francisco do Sul e Tramandaí. A seguir está uma breve descrição dos materiais de divulgação:

Cartilhas: Com base na pesquisa sócio-cultural, duas cartilhas foram desenvolvidas na forma de história em quadrinhos, cada uma retratando a região envolvida. Serviram como reforço posterior ao filme, principalmente para o público infanto-juvenil, permitindo que este público levasse para casa um pouco das informações transmitidas durante a palestra. Abaixo estão as capas das cartilhas.



Folders: Possuíam as informações básicas sobre a ETE e o emissário. Tinha o objetivo de despertar a curiosidade para quem ainda não assistiu a palestra ou como informação adicional para quem já participou.

Filmes: A partir dos roteiros das cartilhas, foram elaborados dois filmes: um para São Francisco do Sul e outro para Tramandaí. Com cerca de 10 minutos, o filme era assistido logo após a apresentação oral. Seu objetivo foi levar ao público informações básicas sobre a ETE e o emissário, de forma descontraída e em linguagem acessível, utilizando imagens e pessoas da própria região.

Tenda da Petrobras: Durante o verão, foi utilizada a Tenda da Petrobras na praia da Enseada em São Francisco do Sul e na praia de Tramandaí. Serviu para a apresentação do vídeo e de um banner demonstrando a instalação da ETE e do emissário para o tratamento e a disposição final da água de formação, além da distribuição de cartilhas e folders.

RESULTADOS

Entre maio de 2003 e maio de 2004, cerca de 4.800 pessoas foram envolvidas nas palestras. Foram realizadas 8 palestras para a força de trabalho dos terminais da Transpetro. Na comunidade de São Francisco do Sul foram 40 palestras.
Nos municípios de Osório, Tramandaí, Imbé e Cidreira foram 50 palestras.
Durante o verão de 2004 em São Francisco do Sul e Tramandaí, cerca de 500 visitantes foram na Tenda da Petrobras.
Assim, o total de público atingido chegou a 5.300 participantes.



Pesquisa Aplicada aos Participantes
Após as palestras para a comunidade foi aplicado um questionário em 3% dos participantes para verificar o grau de conhecimento sobre as atividades da Transpetro e em relação ao sistema de tratamento de efluentes e o emissário submarino.
A seguir estão algumas das questões e suas respostas em porcentagens.

Antes da palestra, você já possuía alguma informação sobre tratamento de efluentes?


Você acredita na existência de problemas para a região com o funcionamento do terminal da Transpetro?



Na sua opinião, o terminal da Transpetro traz benefícios para a região?



Você acredita que o sistema de tratamento de efluentes trará benefícios ambientais?



EQUIPE

Coordenador: Edison Durval Ramos Carvalho - Geólogo, Mestre em Geociências e Doutor em Educação
Consultora de Comunicação: Deolinda Della Nina - Artista Plástica, Arte-educadora e Mestre em Artes
Consultora Técnica e Instrutora: Renata Pereira Araújo - Engenheira Ambiental
Instrutora: Deize Vidal - Geóloga
Instrutor: Rene Duque - Biólogo

CONCLUSÃO

No início, a empresa dedicou-se a obter a melhor tecnologia disponível e foi inovadora ao projetar o sistema de tratamento de efluentes, além de realizar um Estudo de Impacto Ambiental. Porém não deu a devida importância ao processo de comunicação sobre o empreendimento.
Constatou-se que somente a comunicação formal e legal não atendia às necessidades das partes interessadas. Era preciso dialogar com a comunidade para esclarecer possíveis dúvidas e demonstrar transparência, conseguindo credibilidade para prosseguir com a implantação de tal empreendimento.
O principal desafio era desmistificar a idéia de que o emissário serviria apenas para despejar resíduos sem tratamento prévio. Para muitas pessoas não ficava claro que o efluente somente será descartado no oceano depois de tratado e enquadrado nos parâmetros definidos pela legislação.
Assim, a parceria com o GAIA foi muito apropriada, pois já conhecia as comunidades envolvidas e as atividades da empresa.
O programa atingiu seus objetivos e o processo de comunicação sobre a implantação do sistema de tratamento de efluentes nos terminais da Transpetro em São Francisco do Sul e Osório é uma experiência que está colhendo bons resultados!
Pode-se citar a boa receptividade das informações prestadas, nos eventos do programa com os diferentes segmentos da sociedade. Pessoas e entidades estão procurando a empresa para que novos eventos de comunicação sejam programados.
GAIA - Grupo de Aplicação Interdisciplinar à Aprendizagem
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